(esse trecho é fruto do processo de escrita em parceria com Lauande Aires - Grande amigo da Cia Santa Ignorância)
Justino não tem rumo. Não depois do que fez. Melhor fosse nunca ter sido preso. Na prisão virou monstro de vez. De todos é o mais temido. Conhecido como Bode, o matador. Isso todos me falam. Mas, ele mesmo, nunca me falou. Ao visitá-lo fico na ponta da mesa da sala de visita. Ele, do outro lado, guarda seu olhar mirado para o chão. Eu, também, abaixo a cabeça. Ficamos assim durante trinta infinitos minutos que se perdem em respiração. Estamos um de frente para o outro, forçados a lembrar eternamente quem somos, como dois espelhos que não acham um reflexo mútuo e se repetem, se repetem, um dentro do outro, até se tornarem um ponto indefinido de si mesmo: duas ausências, dois pingados vultos. Pesada meia hora que a custo termina, mas não passa. Nunca passa. Fica aqui na garganta e não desce.

Justino não tem rumo. Não depois do que fez. Melhor fosse nunca ter sido preso. Na prisão virou monstro de vez. De todos é o mais temido. Conhecido como Bode, o matador. Isso todos me falam. Mas, ele mesmo, nunca me falou. Ao visitá-lo fico na ponta da mesa da sala de visita. Ele, do outro lado, guarda seu olhar mirado para o chão. Eu, também, abaixo a cabeça. Ficamos assim durante trinta infinitos minutos que se perdem em respiração. Estamos um de frente para o outro, forçados a lembrar eternamente quem somos, como dois espelhos que não acham um reflexo mútuo e se repetem, se repetem, um dentro do outro, até se tornarem um ponto indefinido de si mesmo: duas ausências, dois pingados vultos. Pesada meia hora que a custo termina, mas não passa. Nunca passa. Fica aqui na garganta e não desce.
